De repente autista
Antes de ser mãe…

Antes de ser mãe…

Michelle Carvalho 11/02/2021 Blog

Sempre fui de intensidades, de imensos, de profundidade. Sempre detestei o morno e o tanto faz, me importo demais com o outro para deixar o indiferente reinar.

Sempre fui de valorizar cheiros, gostos, toques, olhares e intenções, essas então, quando usadas para o bem, enchem meu coração de espaços, expande algo especial dentro de mim.

Sempre valorizei aquilo que não se pode comprar, aquilo que só se toca com a alma.

Gosto de sorrisos e lágrimas honestas. Gosto de acolhimentos,  gargalhadas, silêncios compartilhados para respirar ar puro em algum lugar.

Gosto de cheiro de mar, gosto de olhar aquela imensidão e perceber que não tenho o controle de tudo, que as coisas funcionam bem, mesmo quando não tem as minhas perfeccionistas mãos rs.

Sempre achei que o melhor lugar do mundo é dentro do abraço de alguém que potencializa meu universo, alguém que alimenta meu pertencimento e se reconhece em mim como lar. Sempre digo ao meu filho que o abraço dele é meu melhor lugar.

Sempre fui boa ouvinte e gosto de quem realmente escuta.

Sempre achei meus 1,61m incompatíveis com os sentimentos gigantes aqui dentro, sempre considerei pouco espaço para tanto barulho interno.

A maternidade me fez mais seletiva, mais temerosa das consequências,  me fez perceber que o que dói em mim reflete no meu filho e fez com que eu criasse uma blindagem para meu amor próprio.

O outro não é o obrigado a saber o meu valor, mas eu sim.

A minha maternidade atípica me mostrou que tenho uma resiliência que imaginei inexistir, me mostrou como o amor tem a capacidade de se moldar a novas realidades e como tudo que fui, antes de ser mãe, ainda está aqui com todos os meus  muitos,  intensos, imensos e tantos…

A maternidade atípica me deu a oportunidade de aflorar minha criatividade, estabelecer claramente prioridades, valorizar a nossa paz. Acalmou minhas urgências pessoais e me ensinou o que é, realmente, viver um dia de cada vez.

Assim como o mar, que segue seu curso natural sem deixar de ser profundo,  bonito,  diverso, intenso, alguns dias mais furioso outros calmaria,  deveria ser a vida da mulher que se torna mãe.

Desejo que todas as mulheres humanizem seu maternar, conservem sua essência, exercitem a auto compaixão, acolham suas dores e continuem imensas… Imensas no amar e no se amar.

Michelle Carvalho.

6 Comentários

  1. Maria Clara12/02/2021 de 06:29

    Que texto lindo, vc tem o dom de verbalizar sentimentos

  2. Michelle Carvalho14/02/2021 de 15:49

    Obrigada. Fico feliz que tenha gostado.

  3. Gabriela12/02/2021 de 14:06

    Simplesmente MAGNÍFICO!!!!!!

  4. Michelle Carvalho14/02/2021 de 15:49

    Obrigada pelo carinho

  5. Soade20/02/2021 de 20:57

    Amei o texto, muito lindo!

  6. Guanira15/02/2021 de 11:51

    Você descreveu meus pensamentos, meus sentimentos, tudo!Amei!