A criança portadora do transtorno do espectro autista, salvo algumas exceções, não possuem características físicas relacionadas, não é como a síndrome de down, por exemplo, que a identificação é visual, criando uma empatia (ou pelo menos deveria) só de olhar.
O autismo deve ser comunicado e explicado, as pessoas percebem atitudes incomuns da criança, mas não tem certeza se é um transtorno, falta de limites, birra, esquisitice, retardo mental, surdez…
Por isso a dúvida que assola muitos pais é se devemos contar ou não para as pessoas a respeito do diagnóstico.
Muitos profissionais aconselham manter sigilo com receio dos rótulos e do preconceito.
Confesso que eu guardei segredo por 7 meses, desde a suspeita, até a confirmação do diagnóstico pelo 9º profissional diferente, não sabia como as pessoas iam reagir, não conhecia o suficiente para explicar às pessoas como agir, ainda estava paralisada por tantos medos e desenvolvendo um projeto arquitetônico de uma bolha protetiva para colocar meu filho (rsrsrs).
Mas a verdade liberta! Liberta os pais para agirem como deve ser. Liberdade de ir embora sem se despedir porque a criança foi bombardeada de estímulos, de pedir silêncio quando necessário, de desligar a luz de casa mesmo com visitas, de não ter que explicar o uso da fraldas mesmo com idade avançada, deixar de ter o título de superprotetor para ganhar o título de prudente, de chorar de alegria quando a criança diz “mamãe”, enquanto muitos pais de crianças neurotipicas, dizem não aguentar mais ouvir essa palavra o dia inteiro.
E liberta a criança, liberta de não responder “oi e tchau” sem fazer a menor ideia o que isso significa, liberta de abraços forçados que a incomodam tanto, seja pelo toque ou pelo perfume do outro, liberta de pessoas gritando com ela achando que são desobedientes, de adultos nervosos porque já disseram à criança a mesma coisa mil vezes e ainda fazem tudo igual. Liberta pois a criança terá o estímulo correto, a chance de se desenvolver muito melhor e mais rápido.
Quando finalmente consegui juntar meus cacos, reunir minha forças e me preparar para o inesperado, contei à família. Tenho o privilégio de pertencer a uma família maravilhosa que me deu todo apoio necessário e um carinho enorme que me fortaleceu ainda mais. E contei para as mães da escola do Enzo, que são amigas maravilhosas que a maternidade me deu e fazem de forma efetiva a inclusão de berço, presentes de Deus nas nossas vidas.
Para as pessoas estranhas, na maioria das vezes eu conto também.
Conto para os recreadores dos brinquedos, tanto em shopping quanto em buffet infantil, acho importante saberem que Enzo não tem noção de perigo e que possui uma dificuldade em se comunicar.
Conto para as mães de crianças que estão brincando com Enzo em parquinhos, elas têm sempre a opção de sair com os filhos ou de instruí-los a brincar com ele da melhor maneira.
Vejo, em cada pessoa que encontro, uma oportunidade de espalhar conhecimento.
Conto para diminuir o preconceito, para aumentar a compaixão e a empatia por algo que não se pode ver fisicamente.
Só não gasto o meu tempo com pessoas ignorantes, cheias de rancor no coração, com o preconceito enraizado (alguns velados outros não), pessoas egoístas e sem noção de respeito ao próximo, para esses, existem os advogados e a lei, deixo também o endereço do blog (rs).
Aliás, esse blog existe por isso, para levar conhecimento a muitos. Existe para contar a todos que existe um transtorno que se chama Transtorno do Espectro Autista, que pessoas portadoras desse transtorno tem dificuldade nas habilidades sociais, dificuldades de comunicação, de interpretação, possuem hipersensibilidade auditiva, olfativa e visual. Existe para contar que existe tratamento e que, se levado a sério, dá resultados positivos.
Esse blog existe para contar a todos que meu único filho, Enzo, tem Transtorno do Espectro Autista, e que para mim ele é PERFEITO do jeito que é, INCRÍVEL à sua maneira, APAIXONANTE mesmo sem dizer “eu te amo”. Sou muito mais feliz depois que ele nasceu e farei de TUDO para que ele tenha o máximo de qualidade de vida possível.
É o amor da minha vida e ela se tornou muito mais colorida, com predominância do azul, depois que ele chegou!
“Te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar”
Nando Reis