O diagnóstico de TEA (transtorno do espectro autista) não é feito por um profissional apenas. Como é um diagnóstico clínico, ou seja, não existe um exame que detecte a doença (pelo menos por enquanto, a não ser em alguns casos específicos genéticos que falarei depois) é necessário que vários profissionais de diferentes áreas analisem, dêem seu diagnóstico e juntos cheguem a um diagnóstico comum. Todo mundo trabalhando em conjunto, tanto no diagnóstico quanto no tratamento, elaborando um projeto personalizado para cada caso.
O ideal seria que essa equipe tivesse neuropediatra, Fonoaudiologa, terapeuta ocupacional, psiquiatra infantil e psicóloga.
E com o diagnóstico fechado por essa equipe multidisciplinar os tratamentos fossem feitos também em conjunto, com periódicas avaliações do caso, tendo um supervisor para servir de “elo” entre todos os profissionais e fizessem reavaliação das formas de intervenção a medida que a criança evolui.
Isso é o sonho de todos os pais, mas infelizmente NÃO faz parte da realidade do Brasil. São pouquíssimos lugares que possuem uma equipe multidisciplinar no mesmo local, fazendo esse trabalho tão “alinhado”.
Os que eu encontrei ou eram completamente incompatíveis com a nossa condição financeira, ou demoravam de 3 a 5 meses por consulta, pelo plano de saúde.
Resolvi então EU mesma criar a nossa “equipe multidisciplinar”, mesmo que não fossem trabalhando no mesmo lugar ( o que seria sensacional para a criança criar vínculo afetivo com o ambiente, funcionários, etc), mas que trabalhassem em conjunto.
Mais uma vez orei muito à Deus e pedi que Ele enviasse cada um dos profissionais que fariam parte dessa equipe e Ele foi enviando seus anjos.
Procurei a pediatra do Enzo, que nos indicou a neuropediatra, que nos deu encaminhamento para Fonoaudiologa e Terapeuta Ocupacional, com esse encaminhamento em mãos conseguiríamos as sessões pelo plano de saúde.
Tentei marcar a consulta com a Fonoaudiologa pelo plano de saúde e éramos os 53º na fila de espera! (É de chorar!)
Além da minha mãe e das minhas irmãs, que são minhas melhores amigas, ninguém sabia da suspeita de autismo do Enzo, e pedi direcionamento a Deus inclusive para quem ia compartilhar algo tão difícil.
E os planos Dele são infinitamente maiores e melhores que os nossos, o agir de Deus nas nossas vidas é diretamente proporcional à nossa dependência e confiança Nele.
Procurei ajuda de uma amiga na esperança de que ela conseguisse uma indicação dentro da Unicamp para tratarmos o Enzo o quanto antes, já que seu pai era docente nessa universidade. Ela ouviu tudo com muita atenção e disse:
– Nossa, que coisa estranha! Que coincidência! Ontem mesmo estava conversando com uma conhecida do pilates, ela é Fonoaudiologa e me disse que trabalha exatamente com crianças que têm essa característica, ela tem um curso, um tal de ABA, recentemente passou numa prova e agora aceita o seu plano de saúde.
Ela nos deu o contato dessa profissional querida, Cris, que nos encaixou numa vaga surgida naquela semana e hoje faz um trabalho fantástico com o Enzo.
(Posteriormente vou fazer um post somente para o “tal de ABA” rs)
Depois vieram da mesma forma inusitada a Terapeuta Ocupacional, o Psiquiatra infantil, as psicólogas, uma geneticista, além de sempre contarmos com o apoio escolar que tem uma psicóloga, a diretora pedagógica e a professora extremamente parceiras, pró ativas, interessadas e envolvidas com o caso.
Todos os profissionais da nossa “equipe multidisciplinar” avaliaram o Enzo e confirmaram o diagnóstico de TEA (transtorno do espectro autista).
Começávamos então o tratamento e a busca por mais respostas! Com muita fé e com Deus como supervisor dessa equipe!