Esses dias estava no avião com meu filho e a comissária de bordo começou a dar os avisos:
-Em caso de despressurização, máscaras de oxigênio cairão dos compartimentos acima. Puxe para liberar o fluxo. Coloque primeiro a sua máscara e depois auxilie crianças e quem mais precisar de ajuda.
Eu olhei bem para o meu filho, nos imaginei passando por aquela situação, o avião despressurizando, as máscaras de oxigênio caindo e pensei se teria o sangue frio de colocar primeiro a máscara em mim, para só depois colocar nele.
Ele me deu um sorriso lindo, como se dissesse: “eu confio em você!”
E uma voz, lá no fundo do meu coração, como um sussurro, me disse que aquilo era uma analogia da minha vida pós diagnóstico. Nós dois já tínhamos passado por isso. Já tivemos nossa “cabine despressurizada”, e ele dependia de mim para colocar sua “máscara de oxigênio”. E isso só foi possível, porque antes coloquei a minha, em tempo recorde, para não desmaiar por falta de oxigênio e ficar incapaz de ajudá-lo.
A notícia do diagnóstico de TEA (transtorno do espectro autista) vem como uma avalanche na vida das mães. São tantos sentimentos ambíguos, tantos medos, tantas incertezas, tantas perguntas sem respostas… É um olhar para o futuro sem fazer a menor idéia de como será o dia seguinte!
Nos esquecemos de nós mesmas, vivemos em função de pesquisar, de aprender, de entender, de tentar transformar o futuro tão desconhecido, em minimamente previsível.
Tive o privilégio de ser presenteada por Deus com uma Coaching fantástica, Dra. Patrícia Barros, que cuidou da minha parte psicológica, da minha sanidade mental em todo o processo de descoberta do diagnóstico, tratamento, e está comigo até hoje me dando um suporte imprescindível.
E me agarrei em Deus, minha maior fonte de oxigênio! Cuidei da minha vida espiritual, e entreguei tudo que eu não podia mudar Àquele que tem o mundo na palma de Suas mãos. O Deus do impossível. Aquele que me mantém de pé todos os dias e renova as minhas forças quando elas estão a ponto de não existirem mais.
Todas as mães que vem me procurar com um diagnóstico recente nas mãos, eu aconselho: Se cuide! Se fortaleça! Se agarre em Deus! Só assim conseguirá ajudar seu filho.
Claro que sou tão imperfeita quanto qualquer um, sou de carne, osso e MUITOS sentimentos. Meu organismo precisou de “escapes”. Meus cabelos caíram, tenho hematomas emocionais pelo corpo, minha pele está com manchas, meus exames estão alterados e engordei 16Kg em 1 ano. Mas precisamos ter “autocompaixão”. É óbvio que não estou feliz com o meu físico, mas foi o que deu para fazer enquanto minha cabine estava “despressurizada”. Dei o meu melhor.
E sempre é tempo de correr atrás do que ficou no caminho…
O importante é que consegui colocar a “máscara de oxigênio” no Enzo e ele está respirando, cada dia melhor. Todos os dias uma vitória. Todos os dias um fôlego novo.
“Tudo que tem fôlego louve ao Senhor” Salmos 150:6